sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O VEXAME BRASILEIRA.

Brasil-Bolívia, a goleada de zero a zero
Num Engenhão cheio de convidados, inteiramente vazio de apaixonados
Num Engenhão vazio e vaiando, duas seleções, Brasil-Bolívia, com objetivos diferentes. A Bolívia convencida de que não faria gol, nem tentou, às vezes chutava de longe, para lembrar que estava em campo. O segundo, não levar gol, conseguiu também, com a colaboração generosa dos jogadores do Brasil.
O objetivo da nossa seleção era golear, entraram em campo convencidos de que goleariam. Sabiam que isso aconteceria, pediram paciência ao público que nem estava lá: "Por favor, se o gol não sair até os 15 minutos, não vaiem".
O gol não saiu aos 15 minutos, nem nos 90 integrais, 6 vezes 15. Por que não fizeram nenhum gol nessa fraquíssima seleção da simpática Bolívia? Simplesmente porque não jogaram para fazer. A Bolívia fez o que veio fazer, o Brasil, em casa, esteve longe de qualquer coisa.
Nem adianta estender o comentário, Dunga se defende com a mesma desculpa esfarrapada: "Todas as seleções brasileiras se classificaram com dificuldade, às vezes no último jogo, tendo que convocar o Romario à última hora". Não está em jogo a classificação, conseguiremos inexoravelmente. Mas repetiremos 2006?
Não houve um momento de emoção, de sensação, de satisfação. Nem bola na trave, nem gol que deveria ter entrado e não entrou por uma dessas fatalidades que acontecem muito no futebol.
A defesa brasileira, liberada pelos atacantes que não atacavam, podia ter ido à frente, ficaram plantados, defendendo um vazio que os bolivianos não preenchiam e os brasileiros não aproveitavam.
Passados os "15 minutos de paciência" pedido pelos jogadores, e percebendo com sabedoria e antecipação que a goleada não viria, os pouquíssimos torcedores que se atreveram (ou se arriscaram?) a irem ao Engenhão explodiram e libertaram a vaia contida.
Foi sorte de Dunga e da seleção que no Engenhão estivessem mais convidados do que apaixonados. Convidados pela própria condição, não vaiam. Apaixonados, como conseqüência da própria paixão, vaiaram com o coração sangrando. Não podiam fazer outra coisa. É um direito do pagante, gostar ou não gostar do espetáculo. Como gostar "daquilo" que exibiam? A Bolívia, última colocada, "encurralava" o ataque do Brasil, não esteve nem perto de sofrer gol.
Terminado o primeiro tempo com o mesmo 0 a 0 como começara, os apaixonados nem vaiaram mais, estavam cansados de tanta mediocridade. Foram para o vestiário, eles para um lado Dunga para o outro, era visível que não havia diálogo. Dunga teve a sabedoria de não repetir a "preleção" anterior, de que adiantaria?
Terminado o intervalo, foram saindo, Dunga, altamente competente, disse apenas uma palavra: "Joguem". Ninguém ouviu, se ouviram não tinham como executar. Logo aos 8 minutos, o árbitro, arbitrariamente, expulsou um jogador da Bolívia. Foi uma falta de Robinho, que aí fez a sua melhor exibição: se atirou no chão, "contorcendo" voluptuosamente, os comentaristas comentando como sempre: "Torcemos para que não seja grave". Logo, logo Robinho se levantava (do chão, do chão), mas o astral continuava lá longe. Robinho era um jogador proustiano (como todos os outros) à procura do tempo perdido. Que não encontraram.
Passaram-se os minutos, começando pela rotina de tirar o Ronaldinho Gaúcho, que levou colossal vaia individual. E continuará a novela da SAÍDA ou PERMANÊNCIA do Dunga. Mas esse 0 a 0, inesquecível.
PS - Faltou gás à seleção do Brasil. Mas como o gás do Brasil vem da Bolívia, era natural que sofrêssemos. Agora Lula pode criticar a seleção (sem precisar compará-la com a Argentina) e acelerar um novo acordo de gás com Morales. (Antes dele ser derrubado).
PS 2 - Afinal, teremos que enfrentar a Bolívia (lá no alto), e se faltou gás aqui, o que esperar no jogo da volta, já que o de ontem foi o da revolta?

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