Quando o primeiro tempo terminou no quente estádio Nelson Mandela Bay os holandeses devem ter agradecido aos céus por estar só 1 a 0, em belo gol de Robinho, aos 10, ao receber um passe de Felipe Melo que Gérson, o Canhotinha de Ouro da Copa de 1970, assinaria com gosto.
Porque a Seleção Brasileira chegou a ter momentos simplesmente espetaculares nos primeiros 45 minutos, a exemplo, aliás, do que Dunga havia previsto, ao falar em futebol bem jogado nas partidas contra os holandeses.
Antes do gol mesmo, em bela trama, Daniel Alves estava impedido, razão pela qual o gol brasileiro de Robinho foi bem anulado.
Mas depois do gol, não só Kaká sofreu pênalti cometido por De Jong, aos 8, como o mesmo Kaká, aos 30, complementando uma linda triangulação levou o goleiro Stekelenburg a fazer excelente defesa.
Kaká disputou a primeira metade do jogo intensamente e só apanhou menos que Luís Fabiano, que mais pareceu um boi de piranha que um centroavante, missão que cumpriu com valentia.
O pé esquerdo de Robben era marcado impiedosamente, ora por um, ora por outro, ora por mais um defensor brasileiro, de maneira exemplar.
Mais uma vez, enfim, o time brasileiro contra cachorro grande mostrava ser maior, coisa que virou hábito na gestão Dunga, certamente porque para tentar jogar permite-se que o Brasil jogue.
No último minuto, depois que Juan mandou por cima o que poderia ter sido o segundo gol, Maicon ia ampliando num lance que lembrou o famos quarto gol de Carlos Alberto Torres no fecho da Copa de 70, segunda referência aqui a um momento mágico do futebol, porque a seleção canarinho assim fez por merecer.
Aliás, neste lance, o goleiro desviou para escanteio e a fraca arbitragem japonesa não viu.
E Robben, ainda foi pego como falso malandro por Daniel Alves, em seu melhor momento porque não estava bem, ao querer enganar os brasileiros numa cobrança de escanteio.
E o Brasil ainda teve 53% de posse de bola.
E o segundo tempo veio.
Logo aos 8, injustiça pelo ar.
Sneijder cruzou na área, Júlio César saiu em falso e Felipe Melo desviou para dentro do gol.
A isso, em futebol, se dá um nome: Brasil x Holanda, jogo de cachorro de grande. Ficaria maior?
Prudente, porque virou guerra, Dunga tirou Michel Bastos, com amarelo, e botou Gilberto em campo, aos 16.
A superioridade brasileira virou equilíbrio.
Tudo poderia acontecer.
E aconteceu!
Na cabeça de Sneijder, aos 22, em cobrança de escanteio por Robben: 2 a 1.
Era hora de reação, pois pela primeira vez a Seleção estava em desvantagem na África do Sul.
A exemplo das Copas de 1986 e 1990, quando o Brasil foi eliminado, pela Argentina e pela França, em suas melhores apresentações, a Holanda despachava os pentacampeões mundiais.
Mas havia tempo se houvesse cabeça, coisa que Felipe Melo, sabidamente não tem.
E depois de pisar Robben, o brasileiro foi bem expulso aos 28.
Se lembrou Gérson em 70, lembrou a expulsão de Luís Pereira em 74 também.
Ficou praticamente impossível.
Robben enlouqueceu o time nacional.
A maioria holandesa fazia a festa no Nelson Mandela Bay e Dunga trocava Luís Fabiano por Nilmar, uma tentativa correta de trocar a força de um pela habilidade de outro num momento de inferioridade técnica e numérica.
A Holanda estava sempre mais perto do terceiro gol do que o Brasil do segundo.
Notas:
Júlio César falhou no primeiro gol: 5;
Maicon fez o que pôde: 6,5;
Lúcio e Juan, dois gols por cima: 5;
Michel Bastos saiu-se melhor do que a encomenda: 6,5;
Gilberto Silva trabalhador como sempre: 6;
Felipe Melo, do céu ao inferno: 4;
Daniel Alves, a maior decepção da Copa: 4
Kaká, muito bem no primeiro tempo, caiu no segundo: 6,5;
Robinho, exatamente como Kaká, talvez um pouco acima: 7;
Luís Fabiano, um leão sem dentes: 6;
Nilmar, nada pôde fazer: 5
Gilberto entrou para cumprir uma missão e cumpriu: 5;
Dunga não merecia a derrota num jogo como o de hoje e, como na Olimpíada de Pequim, não conseguiu o que queria, embora tenha brilhado depois em tudo que disputou. Uma pena: 6
Por Juca Kfouri às 12:50
(1,708) ComentáriosLinkEnvie por e-mail.Facebook Twitter Orkut Delicious Myspace Digg Bookmarks
Compartilhe02/07/2010Baixa na Holanda
Antes mesmo de o jogo começar, substituição na escalação holandesa: por problemas no joelho, sai o zagueiro Mathijsen e entra Ooijer.
Paulo Roberto Falcão planeja novos voos, razão pela qual não está na África do Sul.
Ele deseja voltar a ser técnico de futebol, como já disse.
E anda se achando tratado sem a devida consideração pelo comando do esporte da TV Globo, Rei de Roma que foi.
Já o comando da TV pensa diferente e estranha que o ex-craque e comentarista tenha adotado um comportamento de estrela.
Em regra não atende aos telefonemas e não está disponível para participar da programação, diferentemente, por exemplo, de Walter Casagrande Jr., que deve passar a ser o comentarista número 1, sempre à disposição.
Enfim, ao que tudo indica, a relação se desgastou.
Que Falcão, que concorda com Cruijff em relação às críticas feitas à Seleção de Dunga, seja um técnico que traga de volta a fantasia de que ele era capaz nos gramados pelo mundo afora.
Por Juca Kfouri às 09:30
(164) ComentáriosLinkEnvie por e-mail.Facebook Twitter Orkut Delicious Myspace Digg Bookmarks
Compartilhe01/07/2010Uso de tecnologia de monitoramento no futebol
Por Túlio Velho Barreto e Jorge Ventura de Morais
Não esperemos o fim da Copa do Mundo, disputada atualmente e pela primeira vez na África, para antecipar sua maior herança: o debate sobre o uso de tecnologia de monitoramento no futebol, ou seja, o uso de tecnologia para tirar dúvidas em lances capitais em uma partida.
De fato, se nada mais grave ocorrer, para tanto, já são suficientes lances de Brasil-Costa do Marfim, Alemanha-Inglaterra e Argentina-México. Isso para ficarmos apenas nos principais erros de arbitragem até aqui.
Vamos lembrá-los: o uso irregular dos braços por Luís Fabiano antes do segundo gol do Brasil; o gol não anotado do inglês Lampard, quando a bola ultrapassou a linha fatal; e o gol do argentino Tevez em posição de impedimento. Há consenso: foram erros crassos e paradigmáticos, que exemplificam tantos outros.
Então, de forma inédita, vimos um árbitro reconhecer a irregularidade do lance para seu autor; um assistente considerar a hipótese de ter errado após consultar o telão; e a Fifa, através do presidente, admitir os erros e pedir desculpas aos prejudicados. E, assim, admitir o debate sobre o tema que mais incomoda a entidade e a International Board (IB).
Erros em Copas, bem como em toda competição futebolística, não são novidades.
O próprio lance envolvendo Lampard nos remete à decisão de 1966, disputada na Inglaterra e vencida pelos anfitriões frente à mesma Alemanha, com gol validado sem que a bola tenha entrado.
Já o argentino Maradona usou “la mano de Diós” para eliminar a Inglaterra, em 1986, no México.
Agora, a França chegou à Copa após Thierry Henry usar a mão duas vezes e propiciar o tiro certeiro de Gallas contra a Irlanda.
Os debates acerca do uso de tecnologia de monitoramento no futebol são relativamente recentes, pois os recursos para tanto, do ponto de vista histórico, também o são.
Mas, por ser um evento mundial, as Copas introduzem inúmeras novidades tecnológicas, sobretudo na forma como as partidas são acompanhadas.
Nada passa mais despercebido.
Na África, por exemplo, todas as partidas são registradas por 32 câmaras e lances são repetidos em velocidade ainda mais lenta.
E é possível medir distâncias, identificar posições e trajetórias etc.
A própria Fifa “vende” esta, como “a Copa da imagem”.
Mas o uso de tecnologia não é novidade no futebol.
A tecnologia e seu desenvolvimento estão presentes não só em transmissões das partidas e telões nos estádios mas também nas roupas e chuteiras dos jogadores e árbitros; na preparação física deles; na Jabulani, a tão polêmica bola da Copa; na mistura de gramas naturais e artificiais, que visa sua maior qualidade e durabilidade…
E são comuns em outros esportes.
Daí, considerarmos necessário especificar de que se trata de debate sobre a introdução de tecnologia de monitoramento em lances capitais e factuais (se a bola entrou; se o gol foi marcado por jogador em posição irregular…), e não indiscriminadamente ou quando caiba interpretação (se foi mão na bola ou bola na mão; s e o jogador estava em posição de impedimento passivo ou não…), sob pena da IB e a Fifa não fazê-lo avançar.
Em 2008, concluímos, no Núcleo de Sociologia do Futebol (Nesf), a pesquisa Análise Sociológica das Mudanças das Regras do Futebol, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Dela resultou nosso artigo “As regras do futebol e o uso de tecnologia de monitoramento”, apresentado no encontro da Associación Latinoamericana de Estudios Socioculturales del Deporte (Alesde) e publicado em Estudos de Sociologia, revista da pós-graduação em Sociologia da UFPE, no mesmo ano. Uma versão reduzida dele está em
Mapeamos o debate sobre o tema no Brasil a partir da posição dos agentes envolvidos, direta (jogadores, treinadores e árbitros) ou indiretamente (jornalistas esportivos). Entrevistamos membros de clubes da Série A e diversos jornalistas do país.
E identificamos, então, três posições: a primeira, amplamente favorável ao uso de tais recursos, baseada em argumentos racionais e de justiça; a segunda, também favorável, mas apenas em lances capitais e factuais já consumados (foi ou não foi gol); e uma terceira, contrária, baseada na emoção, imprecisão e imperfeição do futebol em clara analogia com o cotidiano.
Agora, devemos aprofundar o debate a partir do pressuposto de que erros de arbitragem tornaram-se (apenas) mais visíveis em função da tecnologia disponível e usada para a transmissão de uma partida.
Em se tratando das Copas, quando tais recursos são amplamente empregados, o que se espera é que a memória registre e a história eternize os gols, os dribles, os craques, a beleza do jogo, enfim, e não tais erros, sobretudo porque são passíveis de imediata revisão. Caso contrário, diante da alta tecnologia disponível para se acompanhar uma partida (até em celulares), logo estará em xeque a própria credibilidade do jogo.
Túlio Velho Barreto (Fundaj) e Jorge Ventura de Morais (UFPE) são pesquisadores e coordenam o Núcleo de Sociologia do Futebol (UFPE/Fundaj)
Por Juca Kfouri às 16:37
(257) ComentáriosLinkEnvie por e-mail.Facebook Twitter Orkut Delicious Myspace Digg Bookmarks
Compartilhe01/07/2010A falta que Elano faz
Foto:Ricardo Nogueira/Folhapress
Já em Porto Elisabeth para o jogo de amanhã contra a Holanda, o assunto é a ausência de Elano.
Como se de uma hora para outra ele tivesse virado um Pelé.
De fato, longe disso.
E Daniel Alves até poderia substituí-lo com vantagem, o que, no entanto, não vem acontecendo.
E Elano parecia ungido pelo destino para fazer uma grande Copa, até gols marcando.
Ele é daquele tipo de jogador que rende mais na Seleção do que no clube.
E tem características que certamente Dunga aprecia. E muito.
Dele ouvi certa vez duas histórias de arrepiar, quando, em 2005, foi jogar no Shakhtar Donetsk, em pleno inverno ucraniano.
A primeira, assim que chegou ao apartamento que o clube lhe proporcionou, aconteceu com sua mulher que viu subir pelo ralo do pia da cozinha a água do esgoto que deveria escoar pela latrina.
E a segunda, depois de chegar a pensar em desistir e voltar ao Brasil num dia gelado em que não sentia os pés num treinamento, ao voltar para casa, na sua mão de direção numa trilha de neve, viu seu caminho impedido por uma camionete de um ucraniano que o humilhou e o obrigou a dar marcha à ré.
Elano a tudo suportou, cumpriu seu contrato e subiu um degrau ao ir jogar na Turquia.
E hoje faz falta à Seleção Brasileira.
Por Juca Kfouri às 15:18
(169) ComentáriosLinkEnvie por e-mail.Facebook Twitter Orkut Delicious Myspace Digg Bookmarks
Compartilhe30/06/2010Mata a nossa sede, Dunga!
Por DADO LEAL
Por Juca Kfouri às 19:01
(612) ComentáriosLinkEnvie por e-mail.Facebook Twitter Orkut Delicious Myspace Digg Bookmarks
Compartilhe« Post Anterior
Sobre o autor
Formado em Ciências Sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994). Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Atualmente está também na ESPN-Brasil. Colunista de futebol de "O Globo" entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio. Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha.
HistóricoJulho 2010
Junho 2010
Maio 2010
Abril 2010
Março 2010
Fevereiro 2010
Arquivo
As opiniões expressas neste blog são de responsabilidade do autor
Ir para o topo
UOLASSINE 0800 703 3000BATE-PAPOE-MAILSACVOIPE-MAIL GRÁTISSHOPPINGÍNDICE PRINCIPALÁlbum de FotosAntivírus e FirewallAplicativosAssistência TécnicaBanda LargaBate-papo UOLBelezaBibliotecaBichosBlogosferaBuscaCarros - Tabela Fipe - Comparar
(
Quando o primeiro tempo terminou no quente estádio Nelson Mandela Bay os holandeses devem ter agradecido aos céus por estar só 1 a 0, em belo gol de Robinho, aos 10, ao receber um passe de Felipe Melo que Gérson, o Canhotinha de Ouro da Copa de 1970, assinaria com gosto.
Porque a Seleção Brasileira chegou a ter momentos simplesmente espetaculares nos primeiros 45 minutos, a exemplo, aliás, do que Dunga havia previsto, ao falar em futebol bem jogado nas partidas contra os holandeses.
Antes do gol mesmo, em bela trama, Daniel Alves estava impedido, razão pela qual o gol brasileiro de Robinho foi bem anulado.
Mas depois do gol, não só Kaká sofreu pênalti cometido por De Jong, aos 8, como o mesmo Kaká, aos 30, complementando uma linda triangulação levou o goleiro Stekelenburg a fazer excelente defesa.
Kaká disputou a primeira metade do jogo intensamente e só apanhou menos que Luís Fabiano, que mais pareceu um boi de piranha que um centroavante, missão que cumpriu com valentia.
O pé esquerdo de Robben era marcado impiedosamente, ora por um, ora por outro, ora por mais um defensor brasileiro, de maneira exemplar.
Mais uma vez, enfim, o time brasileiro contra cachorro grande mostrava ser maior, coisa que virou hábito na gestão Dunga, certamente porque para tentar jogar permite-se que o Brasil jogue.
No último minuto, depois que Juan mandou por cima o que poderia ter sido o segundo gol, Maicon ia ampliando num lance que lembrou o famos quarto gol de Carlos Alberto Torres no fecho da Copa de 70, segunda referência aqui a um momento mágico do futebol, porque a seleção canarinho assim fez por merecer.
Aliás, neste lance, o goleiro desviou para escanteio e a fraca arbitragem japonesa não viu.
E Robben, ainda foi pego como falso malandro por Daniel Alves, em seu melhor momento porque não estava bem, ao querer enganar os brasileiros numa cobrança de escanteio.
E o Brasil ainda teve 53% de posse de bola.
E o segundo tempo veio.
Logo aos 8, injustiça pelo ar.
Sneijder cruzou na área, Júlio César saiu em falso e Felipe Melo desviou para dentro do gol.
A isso, em futebol, se dá um nome: Brasil x Holanda, jogo de cachorro de grande. Ficaria maior?
Prudente, porque virou guerra, Dunga tirou Michel Bastos, com amarelo, e botou Gilberto em campo, aos 16.
A superioridade brasileira virou equilíbrio.
Tudo poderia acontecer.
E aconteceu!
Na cabeça de Sneijder, aos 22, em cobrança de escanteio por Robben: 2 a 1.
Era hora de reação, pois pela primeira vez a Seleção estava em desvantagem na África do Sul.
A exemplo das Copas de 1986 e 1990, quando o Brasil foi eliminado, pela Argentina e pela França, em suas melhores apresentações, a Holanda despachava os pentacampeões mundiais.
Mas havia tempo se houvesse cabeça, coisa que Felipe Melo, sabidamente não tem.
E depois de pisar Robben, o brasileiro foi bem expulso aos 28.
Se lembrou Gérson em 70, lembrou a expulsão de Luís Pereira em 74 também.
Ficou praticamente impossível.
Robben enlouqueceu o time nacional.
A maioria holandesa fazia a festa no Nelson Mandela Bay e Dunga trocava Luís Fabiano por Nilmar, uma tentativa correta de trocar a força de um pela habilidade de outro num momento de inferioridade técnica e numérica.
A Holanda estava sempre mais perto do terceiro gol do que o Brasil do segundo.
Notas:
Júlio César falhou no primeiro gol: 5;
Maicon fez o que pôde: 6,5;
Lúcio e Juan, dois gols por cima: 5;
Michel Bastos saiu-se melhor do que a encomenda: 6,5;
Gilberto Silva trabalhador como sempre: 6;
Felipe Melo, do céu ao inferno: 4;
Daniel Alves, a maior decepção da Copa: 4
Kaká, muito bem no primeiro tempo, caiu no segundo: 6,5;
Robinho, exatamente como Kaká, talvez um pouco acima: 7;
Luís Fabiano, um leão sem dentes: 6;
Nilmar, nada pôde fazer: 5
Gilberto entrou para cumprir uma missão e cumpriu: 5;
Dunga não merecia a derrota num jogo como o de hoje e, como na Olimpíada de Pequim, não conseguiu o que queria, embora tenha brilhado depois em tudo que disputou. Uma pena: 6
Holanda
Antes mesmo de o jogo começar, substituição na escalação holandesa: por problemas no joelho, sai o zagueiro Mathijsen e entra Ooijer.
Por Juca Kfouri às 10:59
Paulo Roberto Falcão planeja novos voos, razão pela qual não está na África do Sul.
Ele deseja voltar a ser técnico de futebol, como já disse.
E anda se achando tratado sem a devida consideração pelo comando do esporte da TV Globo, Rei de Roma que foi.
Já o comando da TV pensa diferente e estranha que o ex-craque e comentarista tenha adotado um comportamento de estrela.
Em regra não atende aos telefonemas e não está disponível para participar da programação, diferentemente, por exemplo, de Walter Casagrande Jr., que deve passar a ser o comentarista número 1, sempre à disposição.
Enfim, ao que tudo indica, a relação se desgastou.
Que Falcão, que concorda com Cruijff em relação às críticas feitas à Seleção de Dunga, seja um técnico que traga de volta a fantasia de que ele era capaz nos gramados pelo mundo afora.
Por Juca Kfouri às 09:30
Não esperemos o fim da Copa do Mundo, disputada atualmente e pela primeira vez na África, para antecipar sua maior herança: o debate sobre o uso de tecnologia de monitoramento no futebol, ou seja, o uso de tecnologia para tirar dúvidas em lances capitais em uma partida.
De fato, se nada mais grave ocorrer, para tanto, já são suficientes lances de Brasil-Costa do Marfim, Alemanha-Inglaterra e Argentina-México. Isso para ficarmos apenas nos principais erros de arbitragem até aqui.
Vamos lembrá-los: o uso irregular dos braços por Luís Fabiano antes do segundo gol do Brasil; o gol não anotado do inglês Lampard, quando a bola ultrapassou a linha fatal; e o gol do argentino Tevez em posição de impedimento. Há consenso: foram erros crassos e paradigmáticos, que exemplificam tantos outros.
Então, de forma inédita, vimos um árbitro reconhecer a irregularidade do lance para seu autor; um assistente considerar a hipótese de ter errado após consultar o telão; e a Fifa, através do presidente, admitir os erros e pedir desculpas aos prejudicados. E, assim, admitir o debate sobre o tema que mais incomoda a entidade e a International Board (IB).
Erros em Copas, bem como em toda competição futebolística, não são novidades.
O próprio lance envolvendo Lampard nos remete à decisão de 1966, disputada na Inglaterra e vencida pelos anfitriões frente à mesma Alemanha, com gol validado sem que a bola tenha entrado.
Já o argentino Maradona usou “la mano de Diós” para eliminar a Inglaterra, em 1986, no México.
Agora, a França chegou à Copa após Thierry Henry usar a mão duas vezes e propiciar o tiro certeiro de Gallas contra a Irlanda.
Os debates acerca do uso de tecnologia de monitoramento no futebol são relativamente recentes, pois os recursos para tanto, do ponto de vista histórico, também o são.
Mas, por ser um evento mundial, as Copas introduzem inúmeras novidades tecnológicas, sobretudo na forma como as partidas são acompanhadas.
Nada passa mais despercebido.
Na África, por exemplo, todas as partidas são registradas por 32 câmaras e lances são repetidos em velocidade ainda mais lenta.
E é possível medir distâncias, identificar posições e trajetórias etc.
A própria Fifa “vende” esta, como “a Copa da imagem”.
Mas o uso de tecnologia não é novidade no futebol.
A tecnologia e seu desenvolvimento estão presentes não só em transmissões das partidas e telões nos estádios mas também nas roupas e chuteiras dos jogadores e árbitros; na preparação física deles; na Jabulani, a tão polêmica bola da Copa; na mistura de gramas naturais e artificiais, que visa sua maior qualidade e durabilidade…
E são comuns em outros esportes.
Daí, considerarmos necessário especificar de que se trata de debate sobre a introdução de tecnologia de monitoramento em lances capitais e factuais (se a bola entrou; se o gol foi marcado por jogador em posição irregular…), e não indiscriminadamente ou quando caiba interpretação (se foi mão na bola ou bola na mão; s e o jogador estava em posição de impedimento passivo ou não…), sob pena da IB e a Fifa não fazê-lo avançar.
Em 2008, concluímos, no Núcleo de Sociologia do Futebol (Nesf), a pesquisa Análise Sociológica das Mudanças das Regras do Futebol, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Dela resultou nosso artigo “As regras do futebol e o uso de tecnologia de monitoramento”, apresentado no encontro da Associación Latinoamericana de Estudios Socioculturales del Deporte (Alesde) e publicado em Estudos de Sociologia, revista da pós-graduação em Sociologia da UFPE, no mesmo ano. Uma versão reduzida dele está em www.alesde.ufpr.br/encontro/trabalhos/21.pdf.
Mapeamos o debate sobre o tema no Brasil a partir da posição dos agentes envolvidos, direta (jogadores, treinadores e árbitros) ou indiretamente (jornalistas esportivos). Entrevistamos membros de clubes da Série A e diversos jornalistas do país.
E identificamos, então, três posições: a primeira, amplamente favorável ao uso de tais recursos, baseada em argumentos racionais e de justiça; a segunda, também favorável, mas apenas em lances capitais e factuais já consumados (foi ou não foi gol); e uma terceira, contrária, baseada na emoção, imprecisão e imperfeição do futebol em clara analogia com o cotidiano.
Agora, devemos aprofundar o debate a partir do pressuposto de que erros de arbitragem tornaram-se (apenas) mais visíveis em função da tecnologia disponível e usada para a transmissão de uma partida.
Em se tratando das Copas, quando tais recursos são amplamente empregados, o que se espera é que a memória registre e a história eternize os gols, os dribles, os craques, a beleza do jogo, enfim, e não tais erros, sobretudo porque são passíveis de imediata revisão. Caso contrário, diante da alta tecnologia disponível para se acompanhar uma partida (até em celulares), logo estará em xeque a própria credibilidade do jogo.
Túlio Velho Barreto (Fundaj) e Jorge Ventura de Morais (UFPE) são pesquisadores e coordenam o Núcleo de Sociologia do Futebol (UFPE/Fundaj)
Por Juca Kfouri às 16:37
(257) ComentáriosLinkEnvie por e-mail.Facebook Twitter Orkut Delicious Myspace Digg Bookmarks
Compartilhe01/07/2010A falta que Elano faz
Foto:Ricardo Nogueira/Folhapress
Já em Porto Elisabeth para o jogo de amanhã contra a Holanda, o assunto é a ausência de Elano.
Como se de uma hora para outra ele tivesse virado um Pelé.
De fato, longe disso.
E Daniel Alves até poderia substituí-lo com vantagem, o que, no entanto, não vem acontecendo.
E Elano parecia ungido pelo destino para fazer uma grande Copa, até gols marcando.
Ele é daquele tipo de jogador que rende mais na Seleção do que no clube.
E tem características que certamente Dunga aprecia. E muito.
Dele ouvi certa vez duas histórias de arrepiar, quando, em 2005, foi jogar no Shakhtar Donetsk, em pleno inverno ucraniano.
A primeira, assim que chegou ao apartamento que o clube lhe proporcionou, aconteceu com sua mulher que viu subir pelo ralo do pia da cozinha a água do esgoto que deveria escoar pela latrina.
E a segunda, depois de chegar a pensar em desistir e voltar ao Brasil num dia gelado em que não sentia os pés num treinamento, ao voltar para casa, na sua mão de direção numa trilha de neve, viu seu caminho impedido por uma camionete de um ucraniano que o humilhou e o obrigou a dar marcha à ré.
Elano a tudo suportou, cumpriu seu contrato e subiu um degrau ao ir jogar na Turquia.
E hoje faz falta à Seleção Brasileira.
(
(
Nenhum comentário:
Postar um comentário