
A TIMEMANIA
06/03/2009
Editorial do 'Jornal da Tarde', de hoje
O fiasco anunciado da nova Timemania
O governo anunciou mudanças na Timemania, loteria criada para salvar clubes com equipes profissionais de futebol.
As mudanças serão feitas para ajudar quem continua devendo.
Isso leva à conclusão de que há poucas perspectivas de melhorar o panorama financeiro do futebol profissional brasileiro, que mudou pouco em meio século, valendo ainda a definição de Flávio Costa, treinador da seleção vice-campeã do mundo em 1950, de que é bom dentro das quatro linhas e péssimo fora delas.
A tragédia atual é que a qualidade do jogo piorou e a da gestão, mais ainda.
E a nova Timemania poderá ter destino ainda pior que o objetivo de sua existência.Criada em 2006 para permitir que os clubes beneficiários usem parte do dinheiro dos apostadores, em teoria torcedores apaixonados com a opção clubística de indicar quem deve receber a parcela de sua aposta para saldar suas dívidas com a Receita Federal, a Previdência Social, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), começou a operar em 18 de fevereiro do ano passado.
O rateio é compartilhado entre premiados (46%), clubes (22%), custeio e manutenção dos próprios serviços (20%) e financiamento de projetos esportivos na rede de ensino, clubes sociais, do Fundo Penitenciário Nacional, das Santas Casas de Misericórdia e da seguridade social.
Como em tudo a que o Estado recorre ao bolso do cidadão para salvar, há penduricalhos demais, mas estes nada têm que ver com o desinteresse do público potencial pelo produto.O apostador e torcedor mostrou ter-se sentido como um gato escaldado com iniciativas do gênero: a arrecadação, de R$ 124,6 milhões, foi de um quarto do previsto (R$ 520 milhões).
Do total, R$ 27,4 milhões foram rateados entre 80 clubes, que para recebê-los e ter as dívidas renegociadas em 20 anos, se comprometeram a abatê-las usando o que receberam da Timemania e mais R$ 50 mil por mês.
Com a arrecadação abaixo do previsto, estes já avisaram que não terão recursos para honrar o compromisso com o Estado, apesar de sua magnanimidade incomum.
Há exemplos extremos, como o clube de maior torcida do Brasil, o Flamengo, que, ainda que a iniciativa houvesse tido êxito, não poderia honrar o compromisso para ter direito à regalia.
Mas clubes que devem menos também não terão como, depois de março, pagar o que devem ao grande credor: tudo leva a crer que a inadimplência das "empresas" de futebol profissional com o governo só tenderá a crescer.Enquanto o governo continuar jogando dinheiro público fora para bajular as arquibancadas, este contencioso não se reduzirá.
Para conseguir o que quer, a autoridade teria de exigir dos "cartolas" critérios empresariais de gestão, com metas de desempenho e demonstrações financeiras transparentes - e isso estes não parecem dispostos a aceitar nas negociações para tentar salvar a Timemania: ela pode estar tão fadada ao fiasco quanto nosso futebol "profissional", que foi criada para salvar.
06/03/2009
Editorial do 'Jornal da Tarde', de hoje
O fiasco anunciado da nova Timemania
O governo anunciou mudanças na Timemania, loteria criada para salvar clubes com equipes profissionais de futebol.
As mudanças serão feitas para ajudar quem continua devendo.
Isso leva à conclusão de que há poucas perspectivas de melhorar o panorama financeiro do futebol profissional brasileiro, que mudou pouco em meio século, valendo ainda a definição de Flávio Costa, treinador da seleção vice-campeã do mundo em 1950, de que é bom dentro das quatro linhas e péssimo fora delas.
A tragédia atual é que a qualidade do jogo piorou e a da gestão, mais ainda.
E a nova Timemania poderá ter destino ainda pior que o objetivo de sua existência.Criada em 2006 para permitir que os clubes beneficiários usem parte do dinheiro dos apostadores, em teoria torcedores apaixonados com a opção clubística de indicar quem deve receber a parcela de sua aposta para saldar suas dívidas com a Receita Federal, a Previdência Social, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), começou a operar em 18 de fevereiro do ano passado.
O rateio é compartilhado entre premiados (46%), clubes (22%), custeio e manutenção dos próprios serviços (20%) e financiamento de projetos esportivos na rede de ensino, clubes sociais, do Fundo Penitenciário Nacional, das Santas Casas de Misericórdia e da seguridade social.
Como em tudo a que o Estado recorre ao bolso do cidadão para salvar, há penduricalhos demais, mas estes nada têm que ver com o desinteresse do público potencial pelo produto.O apostador e torcedor mostrou ter-se sentido como um gato escaldado com iniciativas do gênero: a arrecadação, de R$ 124,6 milhões, foi de um quarto do previsto (R$ 520 milhões).
Do total, R$ 27,4 milhões foram rateados entre 80 clubes, que para recebê-los e ter as dívidas renegociadas em 20 anos, se comprometeram a abatê-las usando o que receberam da Timemania e mais R$ 50 mil por mês.
Com a arrecadação abaixo do previsto, estes já avisaram que não terão recursos para honrar o compromisso com o Estado, apesar de sua magnanimidade incomum.
Há exemplos extremos, como o clube de maior torcida do Brasil, o Flamengo, que, ainda que a iniciativa houvesse tido êxito, não poderia honrar o compromisso para ter direito à regalia.
Mas clubes que devem menos também não terão como, depois de março, pagar o que devem ao grande credor: tudo leva a crer que a inadimplência das "empresas" de futebol profissional com o governo só tenderá a crescer.Enquanto o governo continuar jogando dinheiro público fora para bajular as arquibancadas, este contencioso não se reduzirá.
Para conseguir o que quer, a autoridade teria de exigir dos "cartolas" critérios empresariais de gestão, com metas de desempenho e demonstrações financeiras transparentes - e isso estes não parecem dispostos a aceitar nas negociações para tentar salvar a Timemania: ela pode estar tão fadada ao fiasco quanto nosso futebol "profissional", que foi criada para salvar.
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